2018/10/23

Futuro do Trabalho | Soft Benefits | Instrumentos jurídicos capazes de potenciar a gestão e retenção de talento

Joana de Sá e Catarina Mesquita Alves escrevem sobre os Soft Benefits, enquanto instrumentos jurídicos capazes de potenciar a gestão e a retenção de talento.

Qualquer especulação sobre o Futuro do Trabalho não poderá ser, em boa verdade, conclusiva. Uma das caraterísticas definidoras desta nova era é, indubitavelmente, a capacidade de nos surpreender. Existe uma realidade, essa sim inquestionável: a mudança já está a decorrer.

Num futuro, que será muito próximo, mais de um terço das competências (35%) mais atualmente valorizadas no mercado do trabalho, deixarão de ser relevantes para reter ou atrair talento. Assistiremos, por exemplo, ao domínio da robótica avançada, à implementação de meios de transporte mais autónomos, ao suporte da quase totalidade das novas atividades pela inteligência artificial e à machine learning.

Todos estes novos fenómenos vão, necessariamente, transformar não só a maneira como vivemos, mas também a forma como trabalhamos. Com base num estudo realizado pela PWC “Workforce of the future: The competing forces shaping 2030”, as cinco competências em destaque são: a adaptabilidade, a resolução de problemas, a colaboração, a inteligência emocional e a criatividade e inovação. É impossível prever exatamente as habilidades que serão necessárias mesmo daqui a cinco anos, portanto, os trabalhadores e as organizações precisam estar prontos para se adaptar.

Sabemos, porém, que mudanças desta natureza apenas serão bem sucedidas se ocorrerem de forma integrada (estruturas coletivas e trabalhadores), e nesta medida o desafio para as empresas é enorme e emergente. É crucial, antes de tudo, que a empresas adquiram a tão necessária predisposição para a mudança e que encarem o futuro do mundo do trabalho de uma forma dinâmica e não estática. Entendemos que, um dos segredos para o sucesso desta evolução será não só a atração de talento mas sobretudo, a potenciação e retenção do mesmo.

Sem desprimor pelos modelos mais tradicionais utilizados como instrumento de recompensa - salário e outros benefícios sociais que atualmente são já disponibilizados ao trabalhador (seguro de saúde, telemóvel, veiculo automóvel) -, não temos dúvida que serão os SOFT BENEFITS, o instrumento crucial para a retenção de talento.

Essencial se torna, por tudo isto, que as empresas se dotem dos mais seguros e ajustados instrumentos jurídicos para que o valor do seu Capital Humano se torne cada vez mais um fator de inequívoca valorização do negócio, nesta era de tantos desafios e mudanças.

Quais são, então, os novos conceitos jurídico-laborais capazes de acompanhar a mudança e paradigma a que assistimos? A primeira resposta é que, na verdade, não são novos. Todos os referidos mecanismos se encontram previstos quer em legislação nacional, quer supra nacional. A segunda, a de que o bem estar do trabalhador é essencial, e que devemos sempre ter presentes: equilíbrio entre as necessidades da empresa e do trabalhador | conciliação da vida profissional e da vida familiar.

De entre tais conceitos/mecanismos, destacamos:

  • Organização do tempo de trabalho: horários flexíveis | teletrabalho | horário concentrado
  • Redesenho de politicas de remuneração;
  • A implementação para o cumprimento de regras relativas ao direito ao desligamento;
  • Novos modelos de aprendizagem e desenvolvimento, formação, planos de carreia e capacitação

e

  • O desenvolvimento de politicas efetivas ao nível da adaptabilidade dos trabalhadores, ligadas à aquisição de maior responsabilidade individual a consciencialização de que é essencial que ao longo do percurso profissional o trabalhador vá adquirindo novos conhecimentos que lhe permitam uma efetiva progressão na carreia, e competências capazes de o fazer acompanhar as mudanças a que a estrutura onde se integra venha a ser sujeita.


Estamos em estação de mudança nas leis do trabalho mas, na nossa ótica, ela não basta para acompanhar a evolução social. O desafio é muito maior. É um desafio de consciências, de coragens, de decidir ser hoje melhor que ontem.

Teremos, estamos certos, um admirável mundo novo do Trabalho, e uma oportunidade singular para o desenhar de forma criativa, e com segurança jurídica, estabelecendo uma análise preditiva para organizar os pipelines de talentos capazes de melhor responderem às mudanças que possam emergir.


Joana de Sá | Sócia | Responsável de Laboral e da Unidade Económica da Farmácia e do Medicamento | joana.sa@pra.pt
Catarina Mesquita Alves | Associada | catarina.alves@pra.pt