2020/05/26

Que impactos terá o pós COVID-19 no setor imobiliário português?

Joana Mergulhão responde, neste artigo para o Vida Económica, à questão: Que impactos terá o pós COVID-19 no setor imobiliário português?

Vivemos tempos de incerteza no que toca ao setor imobiliário em Portugal e as medidas de combate ao COVID-19 e pós COVID-19 influenciam diretamente a sua dinâmica que nunca sofreu tantas alterações como as vividas atualmente.

No curto prazo, prevê-se o que se mantenha o isolamento parcial para alguns grupos de risco, o que poderá acontecer até mesmo ao próximo inverno. Prevê-se ainda a proibição de ajuntamentos acima de determinado número de pessoas e a possibilidade de nem todos os colaboradores de uma empresa regressarem ao trabalho ao mesmo tempo.

Já no médio a longo prazo, conta-se com o regresso à normalidade assim que seja descoberta e comercializada uma vacina eficaz no combate ao vírus.

Ora tanto estas medidas como a expectativa pelo retorno à vida conhecida antes covid-19, têm tido graves consequências a nível económico.

Contudo, relativamente a Portugal, o impacto não será igual ao da crise anterior, não só por esta pandemia afetar o mundo de um modo global, como também pelo bom comportamento antecipado que se veio a verificar contrário ao de muitos outros países, como ainda pelo facto de as empresas e os bancos se encontrem muito mais capitalizados contando com uma maior liquidez do que há uns anos atrás.

Assim, prevê-se uma recuperação de médio e longo prazo, devido ao vigor que o mercado português alcançou estes anos, com empresas e bancos mais capitalizados e investidores a manterem o interesse no país e, essencialmente no setor do imobiliário.

A estes fatores, não se pode deixar de destacar os vários apoios e programas criados pelo governo, para ajudar famílias e empresas em dificuldades, nomeadamente através das moratórias no crédito, do regime especial de pagamento de rendas, nas linhas de financiamento para empresas, apoios a trabalhadores independentes, entre outros.

O setor imobiliário numa época pós COVID-19, poderá contar com migração de muitos imóveis de arrendamento de curta duração para o arrendamento tradicional de longa duração, o que resultará num aumento significativo na oferta e um natural ajuste de preços, com a sua diminuição.

A crise do COVID-19 deverá também atrasar para 2023 o incremento da Euribor para taxas positivas, o que inicialmente se previa acontecer para 2022. A manutenção dos juros baixos por mais tempo, perspetiva que o setor imobiliário continuará a ser um dos mercados mais atrativos e interessantes para os investidores, o que não permitirá que o impacto que se sentiu no setor no início desta pandemia dure por muito tempo.

O período de confinamento levou ainda a que muitas empresas do setor imobiliário fossem obrigadas a inovar e pensar em estratégias que até à data não eram necessárias. Assistiu-se a um desenvolvimento e interesse tecnológico nunca antes visto que escalou a uma velocidade sem precedentes.

Consultoras imobiliárias contam agora com planos de marketing mais elaborados e fornecem aos seus clientes a hipótese de visitarem um imóvel sem saírem de casa, através de visitas virtuais, fotografias ou 3D, ou mesmo assinando o Contrato Promessa de Compra e Venda eletronicamente, para que se minimize ao máximo o contacto pessoal.

Verifica-se assim que as empresas do setor estão mais bem preparadas para enfrentar situações de crise como a que vivemos atualmente, sendo certo que ainda demorará algum tempo até que o controlo desta epidemia e o retorno à normalidade ocorra.

Joana Mergulhão | Associada | joana.mergulhao@pra.pt